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Pois então...

 

Lá perto onde que eu moro, fica o Rio Paraná. Riozão grande danado.

 

Ainda mais agora despois que fizeram a Represa do Itaipú.

 

Daí sim que ficou largo de uma vez o rio. A água ficou mais mansa de rodar, mas de largueza ficou muito maior.

 

O Cristóvo que era barqueiro desde quando nem tinha a represa ainda, vivia de atravessar o povo de um lado pro outro, despois voltava. Tudo no remo, que de vara nem dava que o rio lá sempre foi muito fundo e agora então nem se fale!

 

O homem era forte, cada braço dele dava uma perna da minha.

 

Sempre de vez em quando vinha gente oferecer pra ele daqueles motor de barco, que era ligeiro, não precisava fazer força e tal... Mas o Cristóvo nunca quis...

 

Aquilo era traiçoeiro ele achava... Podia quebrar no meio do serviço, ele não ia saber arrumar aquilo, tinha que ponhar gasolina toda vez e saia custoso, que pra trazer gasolina ali na barranca também não era fácil.

 

E ele já era acostumado remar, não carecia, ele tinha medo de ficar molenga também, e já tava meio ficando velho, deu medo de enferrujar, ficar gordo e tal. Não quis mesmo, nunca o tal motor.

 

Até que ele foi amolecendo essa idéia e achando que precisava uma ajuda no barco... Daí que ele teve uma idéia... Arrumou uma capivara, animal manso bom de lida, só come capim, milho, mandioca!

 

Olha a cabeça do homem...

 

Encilhava a capivara no barco, ela vinha nadando pra beirada, amarrada feito cavalo de charrete e trazia o barquinho... Mas só pro lado de cá, nada de atravessar pro outro lado.

 

Daí ele ia remando pro lado do Paraguai com ela dentro de um engradado e na volta soltava a bichinha n’agua, ela vinha inté mais rápido do que o Cristóvo remava, chegava às vezes de o povo se segurar no barco da força que a bichinha nadava... Eu mesmo perdi uns dois chapéu no meio do rio só com o vento!

 

Capivara é bicho ligeiro!

 

Um dia contaram pra ele que capivara tem querência por um lado do rio, só vai praquele, nunca pro outro lado, não atravessa por gosto, (vai entender cabeça de capivara). E ele pensou e pensou e resoveu armar um laço lá do lado do Paraguay pra ver se arrumava uma “paraguaia”.

 

Até pegou alguma e daí sortava, que as bichinha era pequena e não dava conta do serviço. Olha como é o homem... Até escolheu a bicha.

 

Três dia depois ele achou uma do jeito!

 

Hoje ele nem rema mais... Vive com uma capivara pinchada n’agua e outra dentro do engradado... Serafina e Juliana, chega do outro lado ele troca as capivara.

 

Eu tenho um botezinho pequeno, só pra eu mesmo... Já montei um laço também pra ver se pego uma paquinha... Meu barco é pequeno, uma paca já ta louco de bom! Essa vai chamar Julieta!!! 

 

 

 

* João Brazílio Ramos Neto é Dentista, Poeta, Músico, Violeiro e Luthier de Marechal Cândido Rondon - PR.

 

 

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