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Postado por Angelim em 06/08/2006

Salto

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Que dia bão hoje. Peguei o Valente, meu cavalo, preparei ele logo cedo com dois bacheiro, uma sela que comprei em Borda da Mata e um bom pelego pra caminhada longa. Me arrumei bem, pra proteger da friagem que ainda tá brava e saí mais ele. Fomo os dois junto, Serra Gaúcha acima. Lugar bonito, que me faz lembrar da minha Serra da Mantiqueira. Aquelas montanha, quanta belezura. Era uma subida só. Vortinha pra cá, vortinha pra lá, só fazendo o S pra poder aliviá a subida dos morro e não cansá demais o Valente. Mas ele é cavalo bão, bem forte. É só saber levar.

 

Nossa parada foi em Farroupilha. Terra das batáia de antigamente. Mas nós dois fumo lá pras banda do Santuário de Nossa Senhora do Caravaggio. O povo estranhou um cadinho, pois num é sempre que chega cavaleiro amontado por lá. Mas alí isso é o de menos. Que lugar!! A Paz existe. E tá lá. Num é só lá não, claro, mas se ocê ainda não sabe onde achar, lá é tiro certo. Fazia tempo que não me sentia bem daquele jeito. Assisti uma missa com Padre Arfredo, que fala como poeta. Queria ter o dom daquele homem. Fez todo mundo entender direitin tudo o que tinha pra contar. Fiquei depois alí em vorta, só rodeando o lugar. É Paz pra todo lado. Ocê fica leve.

 

Finada a manhã, logo depois que o Valente terminou de pastá e eu já tinha rapado minha marmita, seguimo mais pra adiante. Vi umas praca escrita “Salto do Ventoso”. Achei de uma estranhura danada. Achei que tinha arguma coisa com asa derta, pros moço ficá pulando. Mas num era nada disso. Caminhei uns par de légua junto com o Valente, e cheguei lá. Óia, eu aprendi a ver a mão de Deus em todo canto desse mundo. Mas alí, ocê parece que vai tocá nela. Até sente isso. É uma cachoera dessas que ocê consegue passar por detraiz. Aquela água toda ventano pra cima d’ocê. Aquele som de natureza, quando a água bate nas pedra. Foi pra fechar com chave de diamante o dia.

 

Nunca vou conseguir explicar tudo o que senti hoje. Depois de tanto nervoso passado uns dia patraiz, hoje eu lavei a alma. Duas vezes. Era tanto sentimento, que minha viola parecia querer tocá sozinha. Eu nem precisava parar pra pensar, que meus dedo saía indo dum lado pro outro. Tudo sozinho. Como que querendo colocar pra fora, todo sentimento bão que tinha juntado dentro do peito. Um dia ocêis vão ouvir. Chama “Salto”. Homenage simplória desse violeiro a um lugar lindo por demais, mas foi obra de um peito suspiroso de coisas boa. O Valente gostou.

 

Té! 

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