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Postado por Angelim em 12/08/2006

Risadeira

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Óia só a cara do Valente. Acho que nem carece dizê que o danado do meu cavalo tá feliz por demais, com essa risadeira toda na boca. Eu andei passando uns dia de nervura brava, preocupação mesmo, mas hoje deu-se tudo por resorvido. Inda mais que o que tava bão, ficou inda mió. Pra modi resumi toda a história e pará com todo esse falatório sem finarmentes e portantos, o assunto é o seguinte. Tô vortano pra casa. Lembra do primeiro recado meu aqui no brog? Toda aquela sôdade? Aquele suspiro do coração vai terminá. Finado o mês de agosto, tô chegando na Serra da Mantiqueira muntado no Valente, com meu cachorro fiel, o Banjo, do meu lado. Sem contá que tô levando mala e cuia, minhas galinha e meu galo carijó. Um dia vô contá as história dele. Vixe. É tanta coisa. Teve dia que ele pegou a galinha Minervina de prosa com um pato do sítio da minha cumadi Dna. Rosalina, uma muié boa de sentimento, rezadêra, amiga pra daná. Deu um rolo danado entre eles. Foi pena pra todo lado. Mas fui lá, eu mais Dna. Rosalina, e hoje os dois tão de bem. Já fizeram as paz.

 

Mas de vorta as vaca fria, como eu tava dizendo, vou trocar os Pampas Gaudérios (xique o nome desse lugar aqui) pelas minhas Minas Gerais (inté emociona falar). Vim pro sul, num foi só pra passar frio não. Vim pra luta. Pra semear a lavoura da vida. Pra colhê vitória. E tô certo que consegui. Trabalhei como um danado. Sem resmungá. Sem choro. De sol a sol. Com satisfação de trabalhadô que não usa enxada de cabo longo. Que gosta do que faz. E assim foi. Plantei. Colhi. Mas a seca chegou por aqui. Tava eu preocupado. Já havia ficado um tempo bão, nos passado da vida, semeando sem chuva. Sei da dureza que é vivê no solo rachado, tricado como as ruga da minha testa. Só quem passou por isso sabe como é. Mas Deus, Nosso Sinhô, anda do meu lado. Minha Nossa Senhora me guia. Trabalhei muito. O resto é sempre com eles. E isso foi. Quando achei que o trem podia invertê, veio a boa notícia. Tem pasto novo pra ará. Tem garrotada no curral pra vaciná. E lá na minha terra.

 

Acertei hoje os detalhe que fartava. Vou levar minha enxada nas costa e a mesma força de sempre, pedindo saúde pra Deus, Nosso Sinhô, pra podê continuá na labuta. Sem falá que vô tá mais perto da fiarada. Daqui a pouco começava a chegar a netaiada e eu tava de longe, sem pode acompanhá. A familhagem vai gostá também. Meus amigo então. Os daqui ficaram contente por mim e sabem que a porta de casa vai tá lá sempre aberta e quando chegarem eu vou coá café na hora e prepará um biscoito de polvilho especiar feito com leite quente, como meu mestre e padrinho, Sô Souza, me ensinou . E principalmente, estender a mão. Amigo meu, não fica com mão no vento. Seguro sempre.

 

Podia eu de jeito outro, ficar mais feliz? De maneira nenhuma. Só não consegui dar uma risada mais bonita que essa aí do Valente. Êita cavalo bão e companheiro.

 

Bença meu Pai.

 

Té!  

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