Início

A Viola

Afinações

Agenda

Biblioteca

Blog do Angelim

Cifras

Discografias

Encordoamento

Fogão à Lenha

Fotos

Links Interessantes

Luthieria

Mestres Poetas

Mestres Professores

O Sagrado e o Profano

Porta Aberta

Rio Abaixo

Tablaturas

Videoteca

Violas, Minhas Violas

Violeiros

Postado por Angelim em 12/10/2008

Meu Zavê

.

Patrão que tive nas Gerais me chamou nessa semana pra módi eu receber uns acerto que tinha ficado pra trás. Não tive dúvida, pois sabia que viage era longa e tratei de aparar os casco do Valente, meu cavalo que nunca me deixa na mão. Aprontei sela da mais confortável e segui rumo a minha terra.

 

Foi uma viage tranqüila, mas lógico que um bate-torna desses cansa qualquer um.

 

Na passage pela Mantiqueira, quando quase dobrava a serra, eu tropei com uns romêro indo daqui do cerrado pra terra de Aparecida. Bandeira nas mão, chapéu de aba larga pra proteger do sol e lenço no pescoço. Bonito de vê. Só que tava tudo assustado com o relevo da serra. Gente de fora tudo estranha. Medo das pedra rolá e das casa caí morro abaixo. Tentei acalmá esse povo e expliquei que serra é assim mesmo. Perigo só se desce tromba-d’água. Aí ninguém segura mesmo. O tempo tava seco mas deu pra vê que esse povo apertou o passo.

 

Meu acerto com o patrão foi coisa ligêra, mas antes de riscá a picada das formiga e voltar pra casa, resolvi dar repouso pro Valente. Soltei ele num morro alto e só avisei que não fosse longe porque a pausa não tinha assim tanta demora. Esse cavalo é danado de obediente. Tem aqueles trem de ciúme que já contei por aqui, mas me ouve direitinho.

 

Eu me sentei por debaixo de uma araucária que parecia fazer oração, tão grande era sua copa. Eu gosto dessa árvore. Bonita por demais.

 

Do meu repouso fiquei olhando os fundo dum sobrado que muito meu conhecido é. Avistava só parte da casa e eu teimei pra esperá a hora que a chaminé começasse e ventá fumaça. Meus pensamento e minhas lembrança foram muitas e uma vida inteira correu ali. Daí que pude ver que daquela casa rosada não tem mais fogo que queima. O braseiro que dali saía agora veve no peito da gente. Cada um que daquele fogão de lenha se alimentou transporta hoje a saudade em forma de suspiro.

 

Sobiei pro Valente que veio de pronto e amontei. Respirei demorado como que pra guarda mais um pouco de lembrança dentro de mim antes de bater perna de volta. E voltei.

 

Viagem longa, de passo lento e de sorriso no canto da alma. Alegria por ter tido a oportunidade de vida dentro das parede daquele sobrado.

 

Hoje é dia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Que Ela abençoe meu Zavê.

 

Bença.

 

Té!

.

 

 

 

 

 

Deixe seu comentário aqui.

Angelim

Conheça o livro

Roda de Viola

Armazém do

Angelim

Produção